Um conjunto, ou uma
fileira de rosas vermelhas desenhadas
com eximia perfeição, contornavam um outro desenho de difícil interpretação
mesmo com a aproximação visual, em um dos braços daquele homem. Olhar para aquelas
rosas causavam uma espécie de torpor, embriagava. Jamais tinha visto um desenho
assim. Sabemos que quando se desenha algo no corpo há no desenho um significado
único, pessoal, intransferível. Símbolos dos mais diversos possíveis, que
tiveram seu inicio como sinal de
guerra entre os povos primitivos, mais
tarde como ornamentação de rituais, até o estigma de presidiários num
ato de rebeldia. Hoje o homem necessita carimbar na
pele, desejos, sonhos, amores, palavras de fé e esperança, como se com aquele
carimbo pudesse introjetar em si, fatos , pessoas, alegrias, tristezas, enfim, um
punhado de significantes dentro de um significado.
Mas, aquelas rosas que
entorpeciam significavam o que?
A primeira indagação de quem vê, é: Rosas vermelhas desenhadas
no braço de um homem! Que tipo de homem escolhe rosas para tatuar?
Mas, aquele desenho não
era formado só de rosas, havia um outro, indecifrável.
Homem difícil de esquecer,
deixava na memória a marca do desenho, como deixava no corpo de uma mulher sensações
jamais vivenciadas antes.
Não, não era de suavidade,
era firme, tocava cada parte do corpo feminino como se estivesse fazendo uma
escultura única, a primeira e única. Braços fortes, sabia envolver. Rosto
enigmático que com os olhos sabia seduzir “Comia a mulher com os olhos como
dizem por ai.”
Mas o que estava desenhado
no centro daquelas rosas de cor vermelha como sangue com tamanha presteza?
Ao ser indagado apenas
dizia: “É O QUE VOCÊ VÊ”.
Ah!, tinha defeito sim. Se assumia como dependente
químico, e por esta razão não fazia sexo mais de uma vez com uma mulher. Numa
entrega perfeita e total, todos os cinco sentidos eram vivenciados á dois numa
cadência de orquestra extremamente afinada. O toque, o cheiro de suor e sexo
eram estonteantes. Seria o efeito da cocaína? Não, era perfeito demais, pode ser
que ele acreditasse que sim, não sei. Sei que ficou na memória, no corpo, nos
genitais, na mente, com gozos contínuos.
Seria o efeito da tatuagem
? Não sei, sei que entorpecia e levava a um ” frenezi “ total.
Apesar de ser um homem do
mundo, sempre estava envolvido em causas sociais.Tentara várias vezes deixar o
vicio e por vezes ficava tempos “limpo”, mas voltava. Parecia ser seu único e
verdadeiro vinculo, o vicio.
Eu haveria de decifrar
aquele desenho, mas tinha que voltar a realidade naquele momento de “torpor” . Fixei meus olhos no
desenho, mas tudo ficava meio embaralhado. Entorpecida de tesão e prazer e
assim tão próxima, era impossível. Quanto mais olhava aquelas rosas mais tesão,
mais excitada ficava e o desejo era ter aquele homem dentro de meu corpo, perpetuado.
Durante um segundo de
lucidez, me afastei um pouco e consegui decifrar o que estava tatuado no meio
das rosas!.
UMA VAGINA EM TODOS OS
SEUS DETALHES, COM TRAÇOS NEGROS, RODEADA POR ROSAS VERMELHAS.
Simplesmente perfeita.
Ao dizer o que havia visto,
emudeceu e em poucos minutos se foi.
Jamais esquecerei aquele
desenho, aquele homem, assim como jamais saberei o motivo da escolha de uma
vagina entre rosas vermelhas perpetuadas em um de seus braços.
O enigma permanece, a vontade demora e o delírio fica guardado na memória como tatuagem.


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