Desde criança tenho meus medos, minhas aflições. Sempre me
senti rejeitado, com uma enorme vontade de ficar
grudado em alguém. Com os amigos isso era muito forte, com meu principal herói
era mais forte ainda. Eu nunca fui de conversar muito, não queria que tivessem
outros amigos e eu só queria ficar grudado, um desejo alucinatório de ficar
grudado. Cresci, e adolescente entrei em contato com o mundo promiscuo e a
possibilidade de meus desejos se realizarem concretamente. Eu não queria
relacionamento, eu não queria envolvimento, eu queria ficar grudado. Agora
adulto, formado, casado e com filhos, isto ainda está em mim e me dá muito
medo. Sei que não sou doente, mas também não estou dentro dos padrões
considerados normais. As experiências anteriores, como a de muitos homens me
acompanham como cicatrizes de um grave
acidente. Estou diferente hoje. Eu tentei fazer e manter amigos, ter uma turma, sair, conversar, mas eu não conseguia, me revoltava, me sentia
um ser humano hoje chamado de “bunda mole” e a velha sensação de ser
rejeitado. O que consegui materialmente foi boas condições de desenvolver o
que me proponho, trabalho, musica, cuidar de meus cachorros, força intelectual, mas
a minha fraqueza interior não combina com nada disso. Uma vez uma mulher me
despertou sonhos de amor mas eu me apavorava na sua presença. Me sinto fraco e
sonho é sonho, realidade é realidade. Muitas vezes senti muito ódio por uma
pessoa e queria destruí-la, vomitá-la. É horrível sentir isso. Muitas vezes
preferi ficar só nestas circunstâncias, porque estando só eu conseguia
distinguir sonho de realidade e me salvava da decepção que a pessoa poderia
ter de mim. Só eu não me sintia tão mau, a aproximação de pessoas me traziam
pesadelos que eu não quero mais ter. Sentimentos de inveja e ódio ao outro
quando percebia que não estava grudado, estavam sempre presentes em meus
pesadelos.
Precisava vomitar o que coloquei dentro de mim e que
ficou por muito tempo nas
paredes de meu estômago, de minha alma, de minha mente.
Hoje sei quem sou, quem é o outro. Hoje eu sou eu.
APerversaInfiel

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