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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Desabafo...


Desde criança tenho meus medos, minhas aflições. Sempre me senti rejeitado, com uma enorme vontade de ficar grudado em alguém. Com os amigos isso era muito forte, com meu principal herói era mais forte ainda. Eu nunca fui de conversar muito, não queria que tivessem outros amigos e eu só queria ficar grudado, um desejo alucinatório de ficar grudado. Cresci, e adolescente entrei em contato com o mundo promiscuo e a possibilidade de meus desejos se realizarem concretamente. Eu não queria relacionamento, eu não queria envolvimento, eu queria ficar grudado. Agora adulto, formado, casado e com filhos, isto ainda está em mim e me dá muito medo. Sei que não sou doente, mas também não estou dentro dos padrões considerados normais. As experiências anteriores, como a de muitos homens me acompanham como cicatrizes de um grave acidente. Estou diferente hoje. Eu tentei fazer e manter amigos, ter uma turma, sair, conversar, mas eu não conseguia, me revoltava, me sentia um ser humano hoje chamado de “bunda mole” e a velha sensação de ser rejeitado. O que consegui materialmente foi boas condições de desenvolver o que me proponho, trabalho, musica, cuidar de meus cachorros, força intelectual, mas a minha fraqueza interior não combina com nada disso. Uma vez uma mulher me despertou sonhos de amor mas eu me apavorava na sua presença. Me sinto fraco e sonho é sonho, realidade é realidade. Muitas vezes senti muito ódio por uma pessoa e queria destruí-la, vomitá-la. É horrível sentir isso. Muitas vezes preferi ficar só nestas circunstâncias, porque estando só eu conseguia distinguir sonho de realidade e me salvava da decepção que a pessoa poderia ter de mim. Só eu não me sintia tão mau, a aproximação de pessoas me traziam pesadelos que eu não quero mais ter. Sentimentos de inveja e ódio ao outro quando percebia que não estava grudado, estavam sempre presentes em meus pesadelos.

Precisava vomitar o que coloquei dentro de mim e que ficou por muito tempo nas paredes de meu estômago, de minha alma, de minha mente.

Hoje sei quem sou, quem é o outro. Hoje eu sou eu. 

APerversaInfiel   

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